Exame de Ordem: a prova é difícil?

Essa pergunta é bastante feita por aqueles que ainda irão passar pelo tão temido, mas não impossível, Exame de Ordem:

O Exame de Ordem é difícil, não é?

Bem, há uma parcela de dificuldade. No entanto, meus caros estudantes de Direito ou ex-alunos, verifiquem como é/era sua sala na faculdade. Vamos supor que sua sala tenha 60 alunos, ou menos, ou mais. Coloque o número que você acha que sua sala tem de alunos (colegas) e faça algo não muito bonito: julgue-os.

Dali, daquele meio, da sua sala de aula, sinceramente, quantos dentre vocês estudam de verdade? Quantos se destacam pelo estudo, verdadeiramente? Quantos não empurram com a barriga? Quantos não copiam seus trabalhos da internet, inclusive suas próprias monografias? Você, estuda?

Ora, uma amigo meu, de infância, foi o único da faculdade dele a passar em um dos Exames de Ordem recentes. Imaginem só: quantos alunos, da mesma faculdade, talvez estudaram para o Exame? Pouquíssimos, nós supomos. Não é mesmo?

Penso, portanto, que há alguns motivos desta reprovação massiva, que tem feito cerca de 85% dos candidatos reprovarem nos últimos Exames de Ordem (no que eu passei, menos de 10% dos candidatos foram aprovados, ainda quando a prova tinha 100 questões). Senão vejamos:

1. OS ALUNOS NÃO ESTUDAM

Não sejamos hipócritas. Disse para fazermos o exercício do “julgamento”, pois ele faz totalmente sentido. Olhando para a sua sala de 60 alunos, diga, uns 5 “se salvam”? Seja honesto, pense bastante nisso.

Agora, finja que sua sala é o Brasil todo prestando Exame de Ordem. Qual é a porcentagem dos aprovados? Bem pouca, não é mesmo?

A priori tal exercício pode parecer “besta”, pois afinal, há suas exceções. Com certeza, há. Sei de uma turma de uma faculdade de São Paulo, cujo nome não me recordo no momento, em que todos os alunos passaram no exame no penúltimo semestre. Diante disto, a faculdade teve até certo problema em controlar os ânimos do pessoal. A tal faculdade é de regime integral, ou seja, os alunos estudam Direito o dia todo, sem moleza.

No entanto, verificamos que isso é apenas uma exceção. A regra, é a reprovação, conforme os índices mostram. Portanto, estamos de acordo que, infelizmente, e sem romantismos, que a maioria da sua sala provavelmente não seria aprovada no Exame de Ordem, diante do nível de estudo, diante da quantidade de estudiosos, diante da seriedade com que sua turma enfrenta a faculdade de Direito.

Prossigamos.

2. CULPA DA FACULDADE

Outra parcela de culpa merece ser delegada às indústrias faculdades de Direito. Eu mesmo tive professores que não honravam com suas responsabilidades de mestres. E não temo dizer isso, pois isso de fato existia (e existe ainda nos dias de hoje, com certeza).

Muitos professores de indústrias faculdades de Direito não tem um mínimo incentivo para lecionar, simplesmente. São pessoas despreparadas, muitas vezes sem a mínima experiência prática na área  em que lecionam (podemos citar, geralmente, como exemplo, os professores de Direito Administrativo da sua faculdade) e com qualificação profissional do nível de mais um e não de o cara. Afora tudo isso, há o fato de que as próprias faculdades não incentivam esses mesmos professores a melhorarem, seja pagando uma pós-graduação que presta (com o perdão da agressividade), aumentando seus salários e dando a eles melhores condições de trabalho. E digo isso, tanto de faculdades particulares quanto de públicas.

Além de tudo isso, falta também aquilo que nos move todos os nossos dias como advogado: a paixão.

Assim como em qualquer profissão, o professor precisa AMAR e SER APAIXONADO pelo que faz. Lecionar é uma arte apaixonada. Se assim não for, não é real. E, se não é real, não transparece isso aos alunos e, assim, desincentivam seus alunos a estudarem. Aluno que não vê paixão em professor, dificilmente terá prazer em estudar aquela matéria.

Digo isso até por experiência própria, pois, se não fosse um professor de Direito Penal que no 2° ano do curso me ensinou a amar o Direito como um todo (e não só o Penal), talvez, dificilmente me sentiria animado a estudar todas as matérias.

Portanto, concordamos que as faculdades tem parcela de culpa, juntamente com os professores, que são as máquinas responsáveis pelo ensino do Direito.

3. A DIFICULDADE DO EXAME DE ORDEM

O Exame de Ordem é sim uma prova difícil. Exige muito estudo, muitas horas de dedicação, muitos finais de semanas sacrificados, muitos prazeres também. Talvez não seja difícil por causa da dificuldade das questões em si, mas pelo número de matérias que são exigidas (matérias que muitas vezes nem são dadas nos cursos de Direito regulares).

Eu sei que há pessoas que realmente estudam e fazem isso e, ainda assim, não conseguem êxito no Exame. Mas, pensou eu (e perdoe-me se este não é o real motivo), talvez seja algo mais psicológico do que de compreensão de toda a matéria.

Bem, além de o Exame ter um nível de dificuldade considerável, os alunos estudam errado para o Exame. No entanto, neste post, se você está incluso nisso, poderá conferir dicas de como estudar para o exame de ordem. Sim, estudam errado e estudam pouco, sem dedicação. Daí advém parcela de culpa das faculdades que também não ensinam seus alunos a estudarem especificamente para o Exame de Ordem. Tem que se dedicar e estudar corretamente, senão, meu amigo, nunca será.

4. CONCLUSÃO: A BOLA DE NEVE.

Nestes três tópicos acima tentei, de forma muito sucinta ,esclarecer os motivos pelos quais os examinandos não conseguem obter êxito no Exame de Ordem. Se você concorda comigo, nós podemos resumir todo o problema em uma frase: É uma bola de neve caindo montanha abaixo.

É um ciclo, quase que vicioso.

E você, que vai fazer o Exame de Ordem, concorda? Discorda?

Bem, a questão maior é: o que você vai fazer, tendo uma faculdade ruim te ensinando ensinando, tendo professores desmotivados te lecionando lecionando, etc?

Você tem que passar adiante de todas essas dificuldades.

Infelizmente, meu caro, a realidade é: se você não possui professores que te incentivam, uma faculdade de Direito em período integral, uma turma estudiosa onde você se sente até coagido a estudar, etc, você vai ter que passar por isso sozinho.

No fim de tudo, querendo ou não, a culpa acaba sendo sua.

Olha, digo isso, pois já passei por isso tudo, por esta culpa. Se eu não tivesse tomado a iniciativa de estudar, de ser um dos melhores da minha turma, de me dedicar ao estudo do Direito, tendo professores como eu tive (que, não raras exceções, foram muito ruins – tanto que os bons, hoje sou colega e amigo), eu seria mais um na estatística dos reprovados.

Por fim, o que posso fazer para te ajudar é apenas dar dicas para seu estudo e, independentemente de todas as situações que lhe afligem, sejam elas em sua vida pessoal ou na faculdade, é você que vai ter que passar por cima delas. Seja um vencedor e entre na estatísticas dos vencedores!

Deus abençoe a todos vocês.

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